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terça-feira, 20 de abril de 2010

DEPOIS DA TRAGÉDIA, A MUDANÇA DE OPINIÃO

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Entidades contrárias à remoção de favelas no
passa
do, agora defendem a desocupação
de áreas de risco.

Após os deslizamentos de terra que enlutaram muitas famílias e deixaram perplexa a sociedade, assistimos a uma mudança de opinião das entidades que sempre foram contrárias às remoções e que defendiam a permanência de comunidades em encostas e em áreas de preservação ambiental.

Nunca consegui conviver com a desfaçatez. Como cidadã sempre fui combatida pela minha clara opinião contra a ocupação desordenada dos morros cariocas.

Mas, o que me fez adotar tal postura foi a certeza do risco que isso representava para todos nós. O relevo do RJ é de formação muito antiga, sua idade geológica determina uma composição especial em nossos morros: rochas decompostas ocorrendo junto a blocos de rochas vivas. As enxurradas rompem o equilíbrio precário existente nas encostas e elas ao se desestabilizarem, descem, carregando tudo e ceifando vidas.

Há mais de quatro décadas, uma comissão de geólogos estrangeiros, em visita ao RJ, expressaram na imprensa uma opinião clara e abalizada sobre as condições geológicas dos morros do RJ , desaconselhando a ocupação. Anos mais tarde, em torno de 1971, voltei a ouvir considerações de igual teor, desta vez, de renomados pesquisadores do antigo Departamento de Produção Mineral, na Praia Vermelha.

Nunca me esqueci disto, por isso sempre me posicionei, contrariamente, a ocupação desenfreada dos nossos morros, estimulada por maus políticos, líderes comunitários interesseiros e dirigentes de ONGS. E por que? Por conveniência. Por interesses menores. Por valorizarem pouco a vida humana e a dor que representa a perda de um ente querido.

Era fato de conhecimento público a fragilidade de nossas encostas e o perigo das construções desordenadas. Tenho certeza, que temos excelentes profissionais na área de Geologia e Geotécnica, mas eles só são chamados para projetar obras caríssimas de escoramento.

Agora a chuva é o depositário dos ônus da tragédia.

Eu sabia do risco e os nossos governantes não sabiam? E os políticos também não? E os líderes comunitários que estavam sempre prontos a defender as ocupações irregulares também ignoravam a possibilidade de uma tragédia? E os dirigentes das ONGs também não sabiam ?

CLARO QUE SABIAM. SABIAM DA FRAGILIDADE DAS ENCOSTAS E DO RISCO DA OCUPAÇÃO DESORDENADA.ASSIM TORNAM-SE OS VERDADEIROS CULPADOS PELAS CENTENAS DE VIDAS PERDIDAS, POIS DEMAGOGICAMENTE, DEFENDERAM CONSCIENTEMENTE UMA CAUSA. QUE ENLUTARIA EM ALGUNS ANOS MUITAS FAMÍLIAS FLUMINENSES.

Essa é a minha opinião, gostaria de ouvir outras.
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