Petrópolis, 29 de janeiro de 2.011
Prezado Companheiro, prezada Companheira,
Peço permissão para terminar a análise do Estatuto votado em São Luís do Maranhão há uma semana, e que chamarei aqui de Estatuto do “PHS de SL”, para não cair na tentação de chamá-lo de Estatuto da Vergonha.
Penso já ter ficado clara a mecânica do que ocorreu em São Luís em matéria de Estatuto:
1 – o Presidente pediu ao Consultor Jurídico que fizesse uma releitura jurídica do Estatuto, redigido, em sua quase totalidade por pessoas sem maior cultura na área;
2 – O Presidente anunciou que pediria a inclusão de uma ou duas pequenas alterações adicionais, como o fim da proibição de acúmulo de cargos em Executivas Regionais e Municipais e a Nacional;
3 – O rascunho do projeto não foi mostrado a ninguém, por determinação de pessoa incerta e não-sabida. Eu fui um dos que pediu e não viu, e sei que minha filha Sílvia foi outra que solicitou por mensagem escrita e viu negada a sua justa pretensão de membro da CEN;
4 – Em plena Convenção, o Presidente colocou o tema da revisão estatutária em pauta, reconheceu que ninguém tivera o ensejo de avistar o projeto, nem de perto nem de longe, e acrescentou que ele mesmo só recebera o documento na véspera à noite e o desconhecia como todos os demais presentes. O que era um inédito caso de escolha entre a mais absoluta irresponsabilidade, ou o mais refinado dos estratagemas. Respeito demais a inteligência alheia para não descartar a irresponsabilidade: tratava-se de caso pensado, e de texto de pleno conhecimento do Presidente;
5 – Caso assim não fosse, e verificado, logo nas primeiras linhas quando se tentou amputar a subsidiariedade dos princípios básicos e irremovíveis, que não se tratava de mera revisão de conceitos jurídicos, mas de troca do miolo todo do Partido, o Presidente teria usado do microfone para dizer: “Vamos parar, não é por aí, desculpem. Divulgarei o texto nos sites e no Informativo e voltaremos ao assunto na próxima Convenção. Peço desculpas pelo equívoco que alguém cometeu, desviando da intenção que anunciei e entrando por áreas que não são da competência do mais capaz dos Consultores Jurídicos”. Mas o Presidente calou, não se surpreendeu e seguiu em frente.
6 – Sem nenhuma reflexão prévia por parte dos Convencionais, sem sequer a realização da tradicional CEN da véspera ou da manhã, e deixando ao léu 103.000 pessoas que entraram num Partido e foram tocados para outro sem desconfiarem do feio ato, em menos de três horas o PHS virara PHS de SL. Quem devia estar no segredo, pois ficou na sua, os que foram pegos de surpresa não acreditaram no que ouviam e viam, ofuscados pela imagem de um Presidente até então digno de absoluto respeito. E muito obrigado a todos, les jeux sont faits, rien ne va plus.
7 – Na segunda feira, 24, depois do almoço, recebi a ata alinhavada por e-mail, com o pedido do presidente para dar uma revisão. Antes de “rolada” a primeira página, o meu mundo partidário havia sido modificado de alto a baixo, não pela primeira vez, mas com uma brutalidade e uma desfaçatez inéditas. O que eu tinha que dizer, com a educação de que soube usar, escrevi-o ao Presidente e ao Consultor Jurídico. Sem reação, no dia seguinte de madrugada, completei o raciocínio. Recebi um e-mail do Presidente, que deixava de lado o imenso alho universal da bomba H que ele acabara de detonar, para me falar de um bugalinho periférico e sem qualquer importância.
8 – Diante do jogo jogado, era a minha obrigação de quase-octogenário, gringo assumido e possivelmente em pleno processo de senilidade, ir à luta (reconheço logo as minhas “fraquezas” para poupar trabalho às boas almas que acabam de descobrir que sou maír e que sou idoso, e que me acusam desses dois feios defeitos. E em particular ao Sr. Presidente do Conselho Nacional de Ética que faz questão de inviabilizar-se como Presidente e como Conselheiro, pois declara, antes que alguém lhe submeta a questão, quem ele entende estar com a razão, por mero acaso o seu provedor de facilidades... Que varada n’água! Perdemos um membro operoso do Conselho Nacional de Ética, impedido doravante sempre que a questão tratar de assuntos nacionais do PHS...). Olhem para seus avôs e me digam se muitos estão ansiosos para saírem de seus cuidados para fazerem campanha antecipada por um (ou uma, como consta das peças distribuídas) candidato à Presidência do Partido. Se lhes diverte xingar e maldizer as minorias, a mim não incomoda; o que me incomoda, é o estupro cometido sobre nosso indefeso Estatuto, em São Luís do Maranhão.
9 – A seguir, vou lhes detalhar de que se tratava na “revisão jurídica com uma ou duas pequenas alterações”, que o Presidente impôs a um Partido mantido alheio ao assunto, e para Convencionais de exceção, eis que estávamos em meio a 27 intervenções regionais, os deputados federais estavam em fim de mandato e foram mantidos alijados (só um compareceu, mas nenhum fez objeto das benesses seletivas), a cidade-sede era convenientemente de difícil e caro acesso para os sem-prestígio, e foi vedado o prévio conhecimento da mudança radical de Estatuto a todos e todas, salvo o seletíssimo (sob o critério do número) grupo que conduzia a espertíssima (sou isento, não?) manobra, baseada no torpor dos confiantes.
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